sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O PAPEL DA VITAMINA D NAS DOENÇAS AUTOIMUNES

O estilo de vida do homem hoje em dia deixa o sistema imunitário enfraquecido e desregulado, principalmente porque tem de desempenhar as suas funções de defesa em ambiente de carência nutricional, de stresse oxidativo e regra geral também em ambiente de “guerra imunitária”. Nestas circunstâncias a capacidade de funcionamento do sistema imunitário fica diminuída, o hábito de identificar elementos estranhos e patógenos é tal que, como resultado, se verifica uma “confusão na identificação do que é bom e mau” – surgem as doenças autoimunes.

DOENÇA AUTOIMUNE

Uma doença autoimune é uma doença em que o próprio sistema imunitário do organismo agride/ataca os tecidos sãos do corpo. O sistema imunitário é um complexo orgânico altamente organizado e projetado para procurar identificar e destruir invasores do corpo, incluindo agentes infecciosos, entre outras substâncias. Com a presença de um distúrbio autoimune o sistema imunitário produz frequentemente anticorpos incomuns que visavam inicialmente atingir algum elemento estranho, mas que de forma anormal acabam por atingir vários tecidos sãos. Ocorre frequentemente um processo de mimetismo molecular. 

Alguns exemplos de doenças autoimunes incluem lúpus eritematoso, síndrome de Sjogren, tireoidite de Hashimoto, artrite reumatóide, diabetes juvenil (tipo 1), polimiosite, esclerodermia, doença de Addison, vitiligo, anemia perniciosa, glomerulonefrite, fibrose pulmonar, síndrome de Guillain-Barré (polineuropatiaaguda ascendente), esclerose múltipla, cirrose biliar primária, espondilite anquilosante, miastenia gravis, psoríase, entre outras.

VITAMINA D – COMO INFLUENCIA A IMUNIDADE

Muitos fatores influenciam a funcionalidade do sistema imunitário, desde os hábitos alimentares, atividade física, sono, modelação hormonal, hábitos tabágicos, higiene mental e física, entre outros. Estudos têm percebido a estreita associação da Vitamina D e o sistema imune.

A vitamina D (vit. D) é uma pro-hormona que tem sido alvo de um número crescente de pesquisas nos últimos anos. Tem demonstrado a sua função além de no metabolismo do cálcio e da formação óssea, também na sua interação com o sistema imunitário. Esta interação não é totalmente nova tendo em vista que a expressão do recetor de vit. D já foi identificada numa ampla variedade de tecidos corporais tais como cérebro, coração, pele, intestino, gónadas, próstata, seios e células imunes, além de nos ossos, rins e paratiroides.

O efeito da vitamina D no sistema imunitário traduz-se num aumento da imunidade inata associado a uma regulação multifacetada da imunidade adquirida tendo sido também demonstrada uma relação entre a deficiência de vit. D e a prevalência de algumas doenças autoimunes como a diabetes insulino-dependente, esclerose múltipla, artrite reumatóide, lúpus erimatoso sistémico e a doença inflamatória intestinal.

A vit. D parece interagir com o sistema imunitário através da ação sobre a regulação e diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células natural-killer (NK), além de interferir na produção de citocinas (moléculas sinalizadoras inflamatórias).


Os macrófagos, as células dendríticas e as células T e B possuem a maquinaria enzimática para produzir vit. D, e a produção de enzimas pode ser induzida por vários fatores o que tende a gerir os processos inflamatórios do organismo. Portanto, a vit. D é capaz de contribuir fisiologicamente para a regulação autócrina e parácrina de imunidade tanto inatas como adquiridas através do recetor vit. D (VDR) expresso no núcleo dessas células.

A vitamina D possui uma potente atividade reguladora sobre o sistema imunológico, que suprime o programa anormal de atividades (denominado "Th17") responsável pelas agressões imunes contra o nosso próprio organismo (doenças autoimunes). Também induz a proliferação de células reguladoras, denominadas de linfócitos T reguladores (ou "Treg") o que contribui para inibir as agressões autoimunes.

A vitamina D como pró-hormona, apresenta uma função que consiste em produzir e modificar de necessário as reações biológicas nos tecidos-alvo por mediar a transcrição do genoma através do VDR (recetor de vit. D). O mecanismo de transcrição de genoma é extremamente importante pois vai conduzir à tradução em moléculas proteicas correspondentes que determinam o curso dos processos metabólicos nas células e tecidos, ou seja a vitamina D é essencial ao processo de divisão de celular, garante que os tecidos novos são sãos (não sofreram mutação) o tende a potenciar o bom funcionamento do novo órgão/tecido celular.

Em geral, a hormona D regula a expressão de aproximadamente 3% de todo o genoma do homem (mais de 1000 genes localizados em cromossomas diferentes). 

É a abundância de evidências epidemiológicas, tanto diretas quanto indiretas, bem como uma plausibilidade biológica significativa que comprova o papel da vitamina D no início e progressão de doenças autoimunes.

O tratamento com a vitamina D é um caminho, uma ferramenta muito útil em todo o processo de tratamento que deve ser associada a uma orientação e alteração do estilo de vida - o que se aplica em qualquer patologia.


Drª Inês Pereira
Nutricionista da Clínica do Poder
ines.pereira@clinicadopoder.pt

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Referências técnicas e científicas:

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