terça-feira, 20 de setembro de 2016

ENDOMETRIOSE - SAIBA O QUE É E COMO TRATAR

O que é?

A endometriose é uma condição ginecológica dependente de estrogénio caracterizada pela presença e crescimento de tecido endometrial ectópico, (fora do local normal que é o útero), muitas vezes associada com a inflamação severa, dor crónica e infertilidade.


Sintomas

A endometriose é muitas vezes caracterizada por dor pélvica que se manifesta numa variedade de formas mais comumente, as pacientes apresentam dismenorréia (menstruação difícil e dolorosa), dores pélvicas não cíclicas e dispareunia (dor no ato sexual), outros sintomas comuns são disquesia (defecação dolorosa), disúria e infertilidade.

Causas

A menstruação retrógrada, na qual as células epiteliais do útero e do estroma permanecem disseminadas e implantadas na cavidade peritoneal, é o mecanismo mais aceite como causa da endometriose. Mais de 90% das mulheres apresentam a menstruação retrógrada, no entanto, a prevalência de endometriose na população em geral é de 6-10%. A marcada diferença entre estes dois valores sugere que as mulheres que desenvolvem endometriose são propensas a carga genética, bioquímica, e outros fatores fisiopatológicos que contribuem para o desenvolvimento da doença.


Vários estudos efetuados em humanos têm sido muito úteis na fundamentação da patogênese e progressão da endometriose. Eles permitem uma análise aprofundada de fatores envolvidos nesta doença, incluindo a inflamação, angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos), citocinas/expressão de quimiocinas e alterações endócrinas tais como esteróides e expressão dos receptores de esteróides. Estes componentes também formam um complexo significativo, além de estar envolvido o peso da genética e epigenética.

Tratamento

O tratamento farmacológico médico de primeira linha inclui opções que têm um perfil de segurança favorável e custo, com objetivo principalmente hipoestrogênico. O tratamento é bem tolerado pelas pacientes e é eficaz principalmente na inibição momentânea dos sintomas mais severos, no entanto a falta dos níveis de estrogénios normais e regulados pode trazer consequências fisiológicas.

Alimentação e a endometriose

Vários estudos médicos descobriram uma forte ligação entre a endometriose e o consumo de determinados grupos de alimentos. Estes estudos demonstraram que mudanças na alimentação podem ter um impacto dramático sobre a capacidade de controlar e gerir a endometriose. Entre alguns grupos alimentares de risco incluem-se: os Lácteos, Gorduras Trans, Bebidas Alcoólicas, Glúten, Alimentos processados, derivados da Soja, Carne vermelha, Café e os Açúcares.
Nas últimas duas décadas, o consumo de açúcares cresceu dramaticamente. Cada vez mais fabricantes incluem este doce veneno como conservante ou agente aromatizante em muitos alimentos.


O açúcar é transformado em gordura, e por sua vez esta aumenta a produção de estrogénios. O consumo de alimentos ricos em açúcar refinado faz com que o pâncreas produza muita insulina e pode incentivar o aumento das células adiposas e o aumento de peso ponderal. As células adiposas também produzem a enzima aromatase e pequenas quantidades de estrogénios.

Por conseguinte, quanto mais células de gordura, mais estrogénios são produzidos. O excesso de glicose na corrente sanguínea também estimula a produção de prostaglandinas 2 (PGE 2), o produto químico libertado pelo sistema imunitário para causar mais inflamação em áreas em que a inflamação já existe. O açúcar favorece a proliferação de bactérias nefastas ao intestino e também reduz a quantidade de bactérias benéficas. Como estas bactérias são necessárias para a absorção dos nutrientes dos alimentos, uma alimentação rica em açúcar pode levar rapidamente a má nutrição e dificultar a absorção das vitaminas e minerais que são necessários para um sistema hormonal em pleno funcionamento.

Associação entre endometriose e o cancro

A potencial associação entre a endometriose e o cancro tem sido teorizada por décadas. Esta associação é baseada em estudos de caso-controle e coorte observacionais que propõem que a transformação maligna ocorre dentro de lesões de endometriose, dando origem a células cancerígenas. O ambiente molecular que potencia a endometriose é semelhante ao ambiente propício para formação de mutações celulares.

Alimentos a valorizar

Ervilhas; Feijões; Couves Bruxelas;  Beterrabas; Agrião; Cenoura; Repolho; Brócolos;  sementes germinadas; Ruibarbo; couve-flor; Funcho; Alho; Aipo; Salsa; Alface Cebola; alho-francês;  Batata doce; pepino;  feijão verde
Maçã; limão; Mirtilos; framboesas; damascos
Outros alimentos com ação na luta anti-inflamatória: Gengibre; Ervas aromáticas; chocolate preto - com moderação, variedades com 70% ou mais de cacau podem ajudar a reduzir a inflamação.

Alimentos a evitar

1. Carne Vermelha

De acordo com pesquisas recentes o consumo de carne vermelha pode aumentar o risco de endometriose em mais de 80%. O consumo de produtos de charcutaria, como o presunto por exemplo, que tem como aditivo nitrato de sódio que é altamente tóxico, pode interferir diretamente com o funcionamento do seu sistema reprodutivo.

2. Gorduras Trans

Mulheres cuja alimentação é rica em alimentos que contenham óleos ômega-3 podem ser menos propensas a desenvolver endometriose, enquanto que aquelas cujo hábito de consumo alimentar é fortemente carregado com gorduras trans podem ser mais propensas a desenvolver a condição debilitante de endometriose. Alguns exemplos de gorduras trans são: Frituras, manteigas, refugados, folhados, etc.

3. Alimentos processados

Todos os alimentos processados ​​contêm aditivos, conservantes e aromas químicos que estimulam o crescimento de prostaglandinas prejudiciais. A eliminação desses alimentos pode reduzir consideravelmente os sintomas da endometriose.

4. Açúcar

Todos os alimentos preparados com fontes de açúcar provocam um ambiente ácido orgânico. Quantidades excessivas de ácidos oxidam tecidos e desregulam seriamente as funções orgânicas principalmente as funções hormonais. Formam também um solo ideal para o crescimento de bactérias e vírus. Este tipo de ambiente celular é também responsável pela endometriose.

5. Glúten

O glúten é uma proteína extremamente inflamatória, presente principalmente nas farinhas de trigo, centeio e cevada. O difícil processamento intestinal do glúten mantém valores de prostaglandinas inflamatórias elevados o que agrava significativamente o processo da patologia endometriose. Pesquisas têm mostrado que alimentação total sem glúten alivia quase por completo a dor endometrial. Alimentos ricos em farinha de trigo, incluindo pão, massas, doces, bolos estão ligados à obesidade. Num estudo recente, foi estabelecido que a obesidade infantil pode ser um precursor para a endometriose. As mulheres obesas também têm maior risco de cancro endometrial.

6. Produtos de soja

Leite de soja ou outros produtos derivados da soja tendem a aumentar os níveis de estrogénios do organismo. Este facto deve-se a presença de fito- estrogénios nesta leguminosa. É aconselhado apenas o consumo esporádico de derivados da soja que passaram bons processos de fermentação, como o temphe, miso.


7. Café

O consumo de cafeína aumenta os níveis de estrogénio. Este vício também provoca efeitos indesejáveis ​​sobre outros órgãos do corpo, acidificando-o. O consumo de café interfere com o funcionamento hepático, reduz a sua capacidade de desintoxicar e neutralizar os ácidos, e regular o excesso de estrogénios inflamatórios. A cafeína também interfere com a produção de progesterona, que neutraliza os efeitos adversos de estrogénio.

8. Álcool

O fígado é responsável pela expulsão de excesso de estrogénio a partir do corpo. A metabolização do álcool coloca uma carga excessiva sobre o fígado. A eliminação do álcool do corpo torna-se uma prioridade orgânica e, consequentemente é dificultada a capacidade de regular os níveis de estrogénios.
9. Lácteos

Limitar o consumo de produtos lácteos é absolutamente essencial com objetivo anti-inflamatório. Os produtos lácteos contêm gorduras, proteínas, açúcares, antibióticos e hormonas animais que fornecem um ambiente inflamatório exacerbado no organismo, especialmente no sistema hormonal e intestinal. Consequentemente como seu consumo os níveis de estrogénios no corpo aumentam.


Referências:

http://www.endometriosisdiet.com.au/endometriosis-diet/medical-studies/
Greene, A. et alli. (2016) Endometriosis: where are we and where are we going? Reproduction. Sep;152(3):R63-78. doi: 10.1530/REP-16-0052. Epub 2016 May 10.
Trabert, B. et alli (2011) Diet and risk of endometriosis in a population-based case– control study. Br J Nutr. 2011 February ; 105(3): 459–467

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