terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

DISFUNÇÃO ERÉTIL - FATORES DE RISCO E PREVENÇÃO

A Disfunção Erétil (DE) define-se como a dificuldade do homem em obter e/ou manter uma ereção de qualidade que garanta uma relação sexual proporcionadora de prazer a ambos os intervenientes. A Impotência Sexual caracteriza-se por um último estádio da DE, existindo incapacidade de obter ereções. 

Habitualmente o desenvolvimento da DE é progressivo, dependendo da causa do problema.  Pode ser classificada em: severa, moderada ou ligeira. Esta classificação depende da resposta dos pacientes a perguntas como: 


  • Como é a minha confiança em como vou alcançar e manter uma ereção? 
  • Com que frequência tenho ereções rígidas o suficiente para realizar penetração? 
  • Durante a penetração foi possível manter uma ereção de qualidade até ao fim? 
  • Depois da relação sexual sinto que esta foi satisfatória?


O aparecimento de Disfunção Erétil está intimamente relacionado com a existência de vários fatores de risco como: 
  • hipertensão, 
  • prostatite
  • obesidade, 
  • sedentarismo, 
  • consumo de tabaco e álcool, 
  • diabetes, 
  • entre outros. 
O conhecimento dos fatores de risco e a sua prevenção são fundamentais para evitar a DE. Saiba como os seus hábitos e problemas de saúde prejudicam a sua saúde sexual.


Hipertensão arterial
A hipertensão arterial é uma patologia caracterizada pelo aumento da pressão feita pela circulação sanguínea no tecido dos vasos sanguíneos além do padrão normal. Na prática consiste numa diminuição da elasticidade e flexibilidade dos vasos sanguíneos levando ao aumento da força que o sangue realiza no interior das artérias. Pode ter várias causas como a aterosclerose (acumulação de gordura nos vasos sanguíneos – colesterol), obesidade, diabetes, alterações hormonais, hábitos tabágicos e de consumo de bebidas álcoolicas, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, entre outros.

A fisiologia de uma ereção de qualidade implica o aumento significativo do aporte sanguíneo para a região genital. A existência de hipertensão arterial durante longos períodos de tempo danifica os vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo sanguíneo. Assim, facilmente se percebe que este é um importante fator de risco para o aparecimento de DE através da diminuição do fluxo sanguíneo para o pénis. Para além da DE, o aumento da tensão arterial poderá conduzir ao aparecimento de patologias graves como o enfarte do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais (AVC). 
Prevenir e tratar a hipertensão arterial é fundamental para evitar diversas patologias, entre elas a DE. Controlar e evitar as causas de hipertensão acima referidas é o primeiro passo a dar. Nalguns casos poderá ser necessária medicação de forma a baixar a tensão arterial. Esta poderá conter agentes hipotensores que diminuirão o fornecimento de sangue nomeadamente à zona genital e, consequentemente, agravarão a DE. Por este motivo é crucial consultar um especialista em saúde sexual que o possa aconselhar no tratamento de ambas as patologias.

A Próstata é um órgão interno pertencente ao sistema reprodutor masculino. Desempenha funções fundamentais à atividade sexual e fertilidade. A prostatite define-se como uma
inflamação neste pequeno órgão, que poderá ter implicações significativas na qualidade da sua vida sexual. Entre outros problemas, a prostatite diminui a circulação local, evitando que o aporte sanguíneo seja suficiente para a obtenção de uma ereção de qualidade. Esta é a principal causa orgânica de disfunção erétil, só podendo ser devidamente diagnosticada e tratada por um urologista experiente. Revela-se imperativa a realização de consultas que permitam a deteção e tratamento precoce desta patologia. 



Diabetes
A Diabetes é uma doença em que existe excesso de glucose (açúcar) no sangue,  molécula que resulta da transformação de hidratos de carbono no nosso organismo e é fundamental como fonte de energia celular. A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas responsável pela passagem da glucose do sangue para o interior das células. A Diabetes ocorre quando a quantidade desta hormona é insuficiente ou quando esta não atua de forma eficaz. 
Os mecanismos que levam ao aparecimento de Diabetes prejudicam, a longo prazo, a função erétil masculina. A hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) degrada as células que revestem os vasos sanguíneos, prejudicando o fluxo sanguíneo no/para o pénis. Para além disto, o excesso de glucose no sangue degrada as terminações nervosas e provoca alterações hormonais, dois alicerces importantes do funcionamento erétil masculino. Controlar a Diabetes através de um estilo de vida mais saudável, baseado numa alimentação adequada e prática de exercício físico é decisivo na prevenção da Disfunção Erétil. 

Sedentarismo
Caracteriza-se como a falta, ausência ou diminuição das atividades físicas e desportivas. Além de consequências a nível da mobilidade articular e força muscular é uma das principais causas de doenças como a Hipertensão arterial, Diabetes e Obesidade que já relacionamos com o aparecimento de disfunção erétil. 
Para evitar estas consequências do sedentarismo é essencial manter uma vida ativa com a prática de exercício físico regular. 


A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que adultos acumulem, pelo menos, numa semana, 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividades vigorosas. Adicionalmente devem ser praticadas pelo menos duas vezes por semana exercícios de manutenção ou resistência muscular. Para ser ativo não necessita de realizar atividades vigorosas como correr, basta praticar exercícios que aumentem a frequência cardíaca e a frequência respiratória acima das verificadas nas suas atividades diárias. Caminhadas a passo rápido é um exemplo de exercício de intensidade moderada. 

Obesidade
A relação entre o excesso de peso e a prevalência de disfunção erétil tem sido estudada desde há alguns anos. Os estudos apontam para que o índice de obesidade central – gordura acumulada na zona abdominal – seja um indicador de disfunção erétil. A explicação para esta relação apresenta vários tópicos a ter em conta. O aumento de gordura no sangue dificulta a circulação sanguínea e, por isso, dificulta o fluxo de sangue enviado até ao pénis durante a ereção. 

A Obesidade é, habitualmente, acompanhada por outras patologias como a Hipertensão, a Diabetes e o hábito do sedentarismo. Sendo que estas situações, como já abordamos, podem ser causadoras de DE, esta é mais uma explicação para a relação com a Obesidade. Por último, a Obesidade afeta frequentemente os seus portadores no que à sua auto-estima e confiança dizem respeito, potenciando também as causas psicológicas de DE.



Tabagismo
Como é do conhecimento geral, os hábitos tabágicos são uma das principais causas de problemas respiratórios, nomeadamente do cancro do pulmão. Para além destes, o tabagismo, devido à presença de diversas substâncias nocivas no fumo do tabaco, tem efeitos negativos por todo o nosso
organismo. Nos vasos sanguíneos estas substâncias aumentam as reações oxidativas (lesivas) e provocam também uma redução na quantidade de óxido nítrico disponível. O óxido nítrico é um mediador químico vasodilator (que promove o aumento do calibre dos vasos sanguíneos), pelo que a sua redução dificulta o fluxo de sangue satisfatório à ocorrência de ereções.
Os estudos concluem também que a cessação tabágica tem um efeito benéfico na função erétil. Este é mais um forte motivo para deixar de fumar. 


Álcool
Tal como o tabaco, o consumo de bebidas alcoólicas tem diversas consequências negativas no nosso organismo. Neste, esta substância é identificada como nociva, lesionando-o em vários tecidos e sendo neutralizada o mais rápido possível pelo corpo humano. Um dos seus efeitos, quer a curto, quer a médio prazo, é o aumento da tensão arterial, facilitando a aterosclerose. Como abordado neste artigo, este é um dos fatores de risco para o aparecimento de Disfunção Erétil pela diminuição da circulação sanguínea para os genitais. Outra ação conhecida do álcool é o seu efeito sobre o sistema nervoso. No imediato sentimos esses efeitos pela diminuição da velocidade dos reflexos, visão turva, desinibição social, entre outros. Ao longo do tempo verificam-se lesões permanentes, tornando recetores nervosos periféricos, como os do prazer espalhados pelo corpo, menos recetivos a estímulos. Desta forma torna-se mais difícil para o homem obter e manter uma ereção pela diminuição do prazer sentido na relação sexual.
Tal como como noutros hábitos acima referidos, a redução ou eliminação completa do consumo de bebidas alcoólicas pode ter efeitos benéficos na saúde e, consequentemente, na saúde sexual. Embora as lesões no sistema nervoso possam ser permanentes, verifica-se um decréscimo da tensão arterial com a interrupção do consumo.

Conclusão
Os nossos hábitos de vida têm uma ligação muito forte com o nosso estado de saúde. O mesmo acontece na saúde sexual. Em alguns casos, controlar e evitar os fatores de risco aqui referidos pode ser o suficiente para melhorar a qualidade da ereção e contornar a Disfunção Erétil. Noutros, pedir ajuda médica especializada, nomeadamente com um Urologista especialista em saúde sexual poderá ser fundamental para identificar e resolver o problema. Em todos, a adoção de um estilo de vida saudável, com alicerces numa alimentação adequada e prática de exercício físico regular é crucial para manter a saúde sexual e evitar patologias que condicionam muito a qualidade de vida em geral e sexual, em particular.


Jean Gonçalves
Fisioterapeuta
jean.goncalves@clinicadopoder.pt


Para mais informações e agendamento de consultas siga o link Clínica do Poder.



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Referências:
  1. Rosen C, Cappelleri C, Smith D, et al. Development and evaluation of an abridged, 5-item version of the International Index of Erectile Function (IIEF-5) as a diagnostic tool for erectile dysfunction. Int J Impot Res. 1999 Dec;11(6):319-26.
  2. Hallanzy J, Kron M, Goethe VE, MD, et al. Erectile Dysfunction in 45-Year-Old Heterosexual German Men and Associated Lifestyle Risk Factors and Comorbidities: Results From the German Male Sex Study. Sex Med. 2018
  3. Heidelbaugh J. Management of erectile dysfunction, Am Fam Physician 2010; 81:305-312.
  4. World Health Organization. Global recommendations on physical activity for health. WHO. 2010
  5. Carvalho HN, Costa IM, Botelho F, et al. The influence of different metabolic syndrome definitions in predicting vasculogenic erectile dysfunction: is there a role for the index of central obesity?. Aging Male. 2013 Sep;16(3):137-42
  6. Verze P, Margreiter M, Esposito K, et al. The Link Between Cigarette Smoking and Erectile Dysfunction: A Systematic Review. Eur Urol Focus. 2015 Aug;1(1):39-46


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