sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

URETRITE - DEFINIÇÃO, SINTOMAS E TRATAMENTO

O que é?

Uretrite consiste na inflamação da mucosa interna da uretra, canal pelo qual a urina sai da bexiga. 
Figura 1 - Uretrite na mulher.

Pode ser causada por bactérias, fungos ou vírus, transmitidos maioritariamente por via sexual e, raramente, por trauma. Neisseria gonorrhoeae, bactéria que causa a gonorreia pode espalhar-se pela uretra durante uma relação sexual desprotegida, quando um dos parceiros se encontra infetado. Chlamydia trachomatis, bactéria responsável pela clamídia genital e o vírus Herpes simplex são comummente transmitidos sexualmente e podem também causar uma uretrite. Existem outros organismos que também podem estar na origem de uma uretrite, tais como as Thrichomonas, parasitas microscópicos e a Escherichia coli, bactéria encontrada no trato intestinal.  

Figura 2 - Uretrite no homem.
No homem, a causa mais comum de uretrite é a bactéria da gonorreia. A mulher também pode ser afetada por essa mesma bactéria, no entanto a vagina, cérvix, útero, ovários e trompas de Falópio têm maior probabilidade de serem infetados do que a uretra.

A clamídia é também causa comum de muitas uretrites uma vez que é uma doença que pode ser assintomática durante vários dias, logo o seu hospedeiro pode transmiti-la ao parceiro(a) sem ter conhecimento que transporta a bactéria. Milhões de pessoas são portadoras da doença, sendo que a taxa de incidência é superior à da gonorreia. Frequentemente, há associação da clamídia com a ureamicoplasmose, com manifestação subtil, dificultando o diagnóstico. Esta infeção mista da microbiota urogenital conduz a doenças crónicas e, em muitos casos, à infertilidade.  

Existem vários tipos de uretrite:

Uretrite gonocócica: é causada especificamente pela Neisseria gonorrhoeae, bactéria que causa a gonorreia, transmitida por via sexual. É mais comum no homem; na mulher a bactéria tem dificuldade em alcançar o canal urinário, manifestando-se de outra forma (ex.: vulvovaginite). É o tipo de uretrite mais agressivo.

Uretrite não gonocócica: é causada por outra bactéria ou agente infeccioso que não seja a bactéria da gonorreia (exemplo: Chlamydia trachomatis; Herpes simplex). Pode também surgir devido a traumas, como a introdução de sonda urinária ou outro objeto no canal uretral. Outra causa para este tipo de uretrite é a química, por utilização de espermicidas durante a relação sexual que levam à inflamação da uretra.

Uretrite psicogênica ou psicossomática: caracteriza-se pela inflamação da uretra sem ação de bactérias ou vírus, sem ocorrência de traumas ou qualquer outra causa externa. Deve-se a razões psicológicas e emocionais. Os sintomas são semelhantes a uma uretrite regular.

Os fatores de risco são os seguintes:

  • Relações sexuais sem proteção: a não utilização de preservativo não protege a transmissão das doenças sexualmente transmissíveis (DST`s), logo, ocorre a proliferação de bactérias e vírus pela uretra.  
  • Uso de cateteres uretrais ou objetos eróticos: inserir objetos pela uretra, seja em meio hospitalar ou caseiro, pode levar a trauma no canal e, consequentemente, a inflamação ou infeção.   


Sintomas:

Os sintomas da uretrite dependem do agente que a causou e do género.
Os sintomas mais agressivos são os da uretrite gonocócica, provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae.
Na uretrite não gonocócica os sintomas são parecidos com a anterior, mas mais leves.
Entre o homem e a mulher também existem diferenças nos sintomas embora em ambos possa afetar outros órgãos. No homem, o risco maior é nos órgãos próximos, como próstata (prostatite), testículos (orquite) ou epidídimo (epididimite). Na mulher, pode afetar o colo do útero (cervite ou endocervite) ou mesmo levar à DIP (doença inflamatória pélvica), afetando útero, trompas de Falópio e ovários. 
Tanto no homem como na mulher, pode afetar a bexiga desencadeando uma cistite.

No homem os sintomas mais comuns são:
  • Secreção libertada pela uretra de cheiro intenso e cor amarelo esverdeada;
  • Presença de sangue na urina e/ou sémen;
  • Micção dolorosa ou desconfortável (disúria);
  • Necessidade de urinar com maior frequência;
    Figura 3 - Mulher e Homem com sintomas de uretrite.
  • Sensação de bexiga não esvaziada completamente (após urinar);
  • Dor na relação sexual e/ou na ejaculação;
  • Prurido, sensibilidade ou edema do pénis ou virilhas.

Na mulher os sintomas mais comuns são:
  • Secreção vaginal;
  • Dor abdominal e pélvica;
  • Dificuldade ao urinar;
  • Micção frequente ou urgente;
  • Ardor ao urinar;
  • Dor na relação sexual;
  • Febre e calafrios. 



Na uretrite gonocócica, as secreções libertadas são usualmente mais espessas e abundantes, de cor amarelo esverdeada, ao contrário da uretrite não gonocócica, que são mais escassas e esbranquiçadas. Nas uretrites causadas por fungos ou vírus, as secreções são quase inexistentes.  
Os sintomas surgem normalmente alguns dias após o contágio. 
  
Diagnóstico:

A uretrite deve ser diagnosticada pelo urologista. O primeiro passo é o exame físico, tanto no homem como na mulher. No homem é examinado o abdómen, o escroto, o pénis e a bexiga para verificar a presença de secreções e edema. Na mulher é examinada a sensibilidade na uretra e na parte inferior do abdómen, assim como a presença de corrimento vaginal.

É importante a realização de exames laboratoriais para que seja identificado o(s) tipo(s) de infeção em causa. 

Exemplos disso são:
  • Exame à urina (para identificação do agente causador da uretrite)
  • Urocultura (para identificação do tipo de bactérias e número de colônias formadas, logo permite o diagnóstico de uma infeção urinária)
  • Raspagem uretral (para identificação de doenças sexualmente transmissíveis) 
  • Cistoscopia (através de um endoscópio introduzido na uretra e bexiga para observação e raspagem, se necessário, de lesões na parede interna da bexiga)
  • Ecografia pélvica (na mulher)


Tratamento:

Os objetivos do tratamento são eliminar a causa da infeção, melhorar os sintomas e evitar que a infeção se alastre. 
O tratamento consiste na eliminação da infeção. Se a origem é bacteriana, deve recorrer-se à administração de antibióticos. Nas restantes uretrites são indicados fármacos com atividade específica para os microrganismos em causa.

Se for possível, o tratamento deve ser direcionado para o casal, já que um pode ter transmitido ao outro. 

Durante o tratamento as relações sexuais devem ser evitadas ou deve recorrer-se ao uso de preservativo. 

Pode complementar-se o tratamento com chás (chá verde - reduzir inflamações; chá de camomila - antibacteriano; chá de unha de gato / Uncaria tomentosa - fortalecer o sistema imunitário) e com a ingestão de bastante água.

A terapia a laser de baixa intensidade combinada com a terapia antibacteriana (protocolo misto) demonstrou uma maior taxa de eficácia relativamente à terapia apenas com antibióticos. Foram registadas melhorias após a 5ª/6ª sessão no estado geral dos pacientes. O laser permite um aumento da microcirculação, que leva à redução da inflamação, logo, à redução da dor. Além disso, promove o fortalecimento do sistema imunitário e a melhoria da função de alguns órgãos. 

Figura 4 - Prevenção de uma uretrite.
Prevenção:

A forma mais eficaz de prevenir uma uretrite é recorrendo à utilização do preservativo. As DST`s são uma das causas mais frequentes de uretrite, logo o preservativo impede essa transmissão.
Outra medida é a ingestão de bastante água. A hidratação permite a limpeza da uretra com maior frequência, diminuindo o risco de infeção.

  



Sara Pinto
Fisioterapeuta 



Referências Bibliográficas:

  1. BAXTER, D. G. (1994). Therapeutics lasers. Theory and Practice. Churchill Livingstone, p.259

  2. BROCK, G. et al. (1997). The Anatomy of Tunica Albuginea in the Normal Penis and Peyronie Disease. Br. J. Urol., p.276-281

  3. KARU, T. I. (1989). Photobiology of Low-power laser therapy. Harwood Arcad Publishers, p.187

  4. ORLAND, S. M. et al. (1995). Prostatitis, Prostatosis and Prostatodynia. Urology. Vol. 25, p.439-460

  5. HOOTON, T. M. et al. (2013). Voided Midstream Urine Culture and Acute Cystitis in Premenopausal Women. N. Engl. J. Med., p.1883-1891

  6. GAMALEIA, N. F. (1972). Laser na Prática Clínica e na Investigação Médica. Meditsina, p. 232

  7. Infeção do Trato Urinário - Uretrite. Disponível em https://www.msdmanuals.com/pt 



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