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MÉDICOS DE SAÚDE PÚBLICA DEFENDEM CONTINUAÇÃO DO ESTADO DE EMERGÊNCIA

O presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, defendeu esta quinta-feira que o estado de emergência não deve ser levantado no início de maio se o cenário epidemiológico da Covid-19 for idêntico ao atual. Responsáveis políticos, parceiros sociais e epidemiologistas vão avaliar na próxima terça-feira a situação epidemiológica no país e, no dia seguinte, a 29 de abril, o Conselho de Ministros irá definir orientações para, de forma gradual e em segurança, se começar a retirar várias restrições que têm vigorado, segundo o primeiro-ministro, António Costa.
Mas, para Ricardo Mexia, esta ainda não é a altura certa para o levantamento do estado de emergência porque «o cenário epidemiológico é muito semelhante» ao que existia quando este foi renovado. «Se se mantiver esta situação eu acredito que daqui a uma semana, quando for a altura de reavaliar, não vai ser o momento de levantar as restrições na medida em que não tivemos um verdadeiro decréscimo do número de casos», sublinhou o responsável à agência Lusa. 

 O presidente da ANMSP explicou que «tem havido uma estabilização [do número de casos] que, obviamente, é melhor do que ter um crescimento exponencial, mas isso não quer dizer que os números estejam a baixar de forma clara». 

Sobre a necessidade de retomar gradualmente a atividade económica, Ricardo Mexia afirmou que «a economia beneficia da saúde tal como a saúde também beneficia de uma economia que seja forte e em crescimento». 

 «A grande questão é que num cenário em que nós levantemos as restrições cedo demais, podemos depois vir a pagar o preço disso como já aconteceu em alguns países e, portanto, temos de aprender também com a experiência de outros contextos e aplicá-la também a nosso favor», argumentou o especialista, defendendo nesse sentido, ser necessário «avaliar de forma muito rigorosa qual é a situação epidemiológica para tomar uma decisão fundamentada para quando for possível reduzir as restrições». 

Recorde-se que Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado a 19 de março, e o decreto presidencial que prolongou a medida até 2 de maio prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais». 

Tempo Medicina Sexta-Feira, 24 de Abril de 2020

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