segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

SAL – O SEU PIOR INIMIGO?

O sal tem sido denominado como um dos grandes causadores de muitas patologias como a hipertensão arterial, retenção de líquidos, edemas, risco de AVC e enfartes. Saber qual é a qualidade e quantidade de elementos salgados na alimentação, é de extrema importância para evitar estas patologias e equilibrar vários sistemas no organismo, nomeadamente sistema renal, circulatório, hormonal e cardíaco.

Tido como um dos maiores vilões da vida saudável, o “sal” por si só, não é o causador dos males a serem combatidos, mas sim a excessiva quantidade de sódio que contém, a falta de outros minerais e o consumo alimentar paralelo frequentemente nefasto.

Industrialização

O SAL REFINADO “de mesa” é produzido a temperatura e pressão controladas em instalações industriais. Os seus cristais são constituídos exclusivamente por cloreto de sódio e são todos iguais, cerca de 40% de sódio (Na) e 60% de cloreto (Cl), daí o seu nome ser Cloreto de Sódio (NaCl).
O problema deste tipo de sal industrializado é que, além da sua escassez de elementos importantes como minerais e oligoelementos, passa por processos nada saudáveis.

Mesmo o SAL MARINHO (OU GROSSO) a maioria das vezes passa por uma lavagem onde há perdas de algas microscópicas, que fixam o iodo natural no organismo, importante para a prevenção do bócio. O processo também elimina o enxofre, o magnésio, o cálcio e outros elementos. Essa lavagem feita a quente serve para “clarear” o produto, causando a perda da maioria dos elementos essenciais. O branqueado envolve a exposição do sal a muitos produtos químicos tóxicos como alumínio, ferrocianeto e lixívia. Os sais são também frequentemente expostos a processos de ação anti-aglomerante, para aumentar a sua vida útil do produto.


Por isso torna-se uma substância tóxica e desvitalizada que deve ser evitada.
Além do efeito tóxico, o efeito que este sal tem no aumento da pressão arterial e na vasoconstrição está muito associado ao seu alto teor de sódio e a falta de outros minerais, como magnésio. O sal refinado provoca a reação negativa de retenção de água como ação defensora, em que as células cedem a água para ajudar a diluir e neutralizar o sal. Esta perda de água desidrata e enfraquece as células e pode até fazê-las envelhecer prematuramente.

É de notar as consequências nefastas do sal refinado e de produtos processados nele, na fisiopatologia sexual. Sem fornecer minerais que poderiam ser muito úteis, mas antes, desregulando hormonas e fluxo hídrico leva uma imensidade de homens à necessidade da toma de anti-hipertensivos. Estes químicos podem resultar em problemas masculinos como a disfunção erétil, ejaculação desregulada, falta de líbido, e até falta de lubrificação vaginal na mulher.

OS SAIS NÃO REFINADOS, por outro lado, não foram submetidos a processos químicos e por isso contém minerais naturais originalmente presentes. O seu conteúdo mineral dá-lhe uma cor distinta. O sal pode variar dependendo de onde ele é retirado, devido à alteração do conteúdo mineral. Os minerais presentes no sal não refinado são a fonte principal benéfica. Estão presentes no sal também muitos oligoelementos, tais como o iodo, e manganês, zinco, selénio, cobre, entre outros, necessários para manter a saúde ótima, e afetam a pressão sanguínea de uma maneira positiva.
CONSUMO EXIGENTE

Sal marinho natural/tradicional


O Sal Marinho Natural é extraído em salinas mais pequenas e por métodos antigos. Sofre um processo sem processamento ou adição de químicos, utilizando somente a água do mar e energia solar. Possui mais minerais para além do cloreto de sódio e possui uma cor branca natural. Contêm cerca de 84% cloreto de sódio, enquanto o sal de mesa tem cerca de 98% de cloreto de sódio.

Sal marinho céltico

Este tipo de sal é mais difícil de obter. Além de sódio e cloreto, o Sal Marinho Céltico fornece outros nutrientes como o cálcio, magnésio, potássio, ferro e zinco. Os níveis de metais pesados não são detetáveis (por exemplo, arsénio, cádmio, mercúrio) ou estão bem abaixo dos limites de segurança. Este sal não passa o refinamento e branqueamento, é colhido do oceano usando o sol, o vento e as lagoas ionizantes de barro raso, um método que foi transmitido através das gerações.


Flor de sal

Durante a produção de sal marinho em salinas, antes que todos os sais depositem e forem o sal marinho, forma-se à superfície da água, uma camada de cristais leves e delicados - está é a Flor de sal. Este sal constitui-se numa etapa mais natural na cadeia de produção de sal. Da mesma forma que o sal marinho céltico, não sofre nenhum tipo de processamento químico, nem adição de aditivos. Possui grande percentagem de cálcio, magnésio, potássio, ferro e iodo comparativamente com outros sais marinhos normais, mesmo os naturais. Mesmo assim mantém cerca de 94 a 98% de cloreto de sódio.

Sal dos himalaias

Conhecido nos Himalaias como "ouro branco", o Sal de Cristais dos Himalaias contém mais de 84 minerais e oligoelementos naturais e elementos encontrados e necessários para o corpo humano.

Este sal extraído a 5.000 metros de profundidade abaixo da cordilheira dos Himalaias foi submetido a uma intensa pressão tectónica ao longo de milhões de anos e é mais de 99% puro. Quanto mais elevada for a pressão, mais elevada a qualidade da estrutura cristalina do sal.
Muitos sais dos Himalaias são vendidos a preços reduzidos pois a extração é feita nas camadas mais superficiais do topo das montanhas em vez de nas minas profundas. Estes sais contém mais impurezas, e não têm a mesma estrutura cristalina por isso não são tão facilmente assimilados pelo corpo.

Pelos seus constituintes minerais apresentam no estado iónico uma cor cor-de-rosa típica. Para o tempero culinário, normalmente diz-se que é necessário menos quantidade de sal para obter o mesmo sabor.
Acredita-se que o uso diário destes minerais estimula o peristaltismo dos órgãos digestivos, equilibra acidez do estômago, estimula positivamente a produção de sucos gástricos no fígado e no pâncreas, regula o metabolismo e harmoniza o equilíbrio ácido-alcalino geral orgânico.

Consequências da falta de sal de qualidade

Apesar do excesso de sódio ser claramente prejudicial, não pode ser esquecido que o sódio também é um nutriente essencial, o organismo necessita dele para regular os níveis hídricos e para fornecer canais para sinalização nervosa. Algum sódio é também necessário para manter o funcionamento adequado dos músculos e nervos. Sem quantidades adequadas de sódio, o corpo pode ter dificuldade em arrefecer depois de exercício físico intenso. Para o fenómeno de sudação, o sódio é indispensável. A falta deste mecanismo de regulação da temperatura e excreção pode resultar num acidente vascular cerebral ou exaustão, bem como desidratação.

Este mineral é um transportador de energia sendo também responsável por enviar mensagens nervosas do cérebro para o movimento dos músculos, através do sistema nervoso. O mecanismo de passagem dessas mensagens nervosas é conhecido por troca de iões sódio-potássio. Portanto, estes dois elementos são também essenciais, e ainda mais a sua proporção adequada.


O excesso de sódio (como o obtido a partir de fontes alimentares) é excretado pela urina. A maioria do sódio no corpo (cerca de 85%) é encontrada no sangue e fluidos linfáticos. Os níveis de sódio no corpo são parcialmente controlados por uma hormona chamada aldosterona, que é produzida pelas glândulas supra-renais. Os níveis de aldosterona determinam se os rins devem armazenar o sódio no corpo ou se devem eliminá-lo pela urina.

Porque os níveis de sódio e outros minerais e oligoelementos são essenciais, é importante o seu consumo adequado e exigente. Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association argumenta que, ao contrário de todos os conselhos frequentes, o menor nível de sódio é associado ao aumento do risco de morte cardiovascular. Além disso, o estudo conclui que os níveis mais elevados de sódio não correspondem ao aumento da hipertensão ou complicações de doenças cardiovasculares.
Investigadores da Universidade de Leuven, na Bélgica, analisaram a incidência de morte, doença e hipertensão em relação às quantidades de sódio excretado na urina. Os participantes incluíram 3.681 pessoas sem doença cardiovascular no início do estudo. De acordo com o artigo, o risco de morte por doença cardíaca foi significativamente maior naqueles com menor nível de sódio (uma taxa de mortalidade de 4,1%) em comparação com aqueles com níveis mais altos de sódio (menos de 1%).

Os autores observaram que os níveis basais de sódio não prediziam a mortalidade total ou eventos cardiovasculares fatais ou não fatais.
A redução exagerada do consumo de fontes de sal tem mostrado consequências tais como:

·   Maiores taxas de eventos cardíacos e morte;
·   Aumento da resistência à insulina, um precursor do diabetes tipo 2;
·   Mais quedas e fraturas do quadril e diminuição nas habilidades cognitivas – em pacientes idosos com níveis baixos de sódio;
·   Nascimento de bebés de baixo peso, propensão a má função cerebral entre as idades de 10 e 13;

A solução não é abolir totalmente o consumo de fontes com sal, mas sim valorizar fontes naturais de sal e ricas em outros nutrientes necessários em doses maiores, promovendo o equilíbrio. Equilíbrio é a perfeição e a juventude.

ALIMENTE BEM O SEU CORPO, POTENCIE OS SEUS ÓRGÃOS,
TENHA JUVENTUDE E PODER!

Nutrição
ines.pereira@clinicadopoder.pt

Referências:

Stolarz-Skrzypek K, et al (2011) European Project on Genes in Hypertension (EPOGH) Investigators FT. Fatal and Nonfatal Outcomes, Incidence of Hypertension, and Blood Pressure Changes in Relation to Urinary Sodium Excretion. JAMA;305(17):1777-1785.
http://www.drbrownstein.com/Salt-Your-Way-to-Health-p/salt.htm
http://drlwilson.com/Articles/salt.htm
http://www.medicinenet.com/electrolytes/article.htm
http://www.greenmedinfo.com/blog/cutting-salt-may-increase-your-risk-fatal-heart-disease

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