quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

14 DE FEVEREIRO DIA EUROPEU DAS DISFUNÇÕES SEXUAIS

Segundo a OMS, a saúde sexual é "um estado de completo bem-estar físico, emocional e mental associado à sexualidade e não só à ausência de doença". 

A existência de dificuldades ou disfunções sexuais impedem o vivenciar de uma vida sexual gratificante e satisfatória. Estes problemas são mais frequentes do que imagina. 

Aproximadamente 25% dos homens portugueses, de todas as idades, sofre de algum tipo de disfunção sexual. Quando acima dos 42 anos, mais de 50% dos homens padece de disfunção erétil e cerca 30% de ejaculação prematura (ejaculação precoce). 

No que refere às mulheres, em Portugal, 56% sofre ou já sofreu de algum tipo de disfunção sexual.

Para uma saúde sexual plena é fundamental que tanto homens quanto mulheres partilhem com os seus parceiros os problemas que estão a sentir e procurem ajuda médica especializada de forma célere, evitando assim complicações nos campos da saúde geral, relacional e até social. 



Disfunções sexuais femininas mais frequentes

Disfunção do desejo (défice ou ausência de líbido)

Define-se pela diminuição ou ausência de fantasias e de desejo em ter relações sexuais. Pode ser hipoativo ou aversão sexual total. Na sua génese existem três tipos de fatores: sociais (tabaco, álcool, stresse ou depressão); farmacológicos (consumo de determinados medicamentos) ou biológicos (alterações hormonais, diabetes e disfunções do pavimento pélvico).

Disfunção da excitação

Caracteriza-se pela incapacidade persistente ou recorrente de adquirir ou manter a lubrificação vaginal durante o ato sexual. Também esta está relacionada com 3 fatores: biológicos (desde desajustes hormonais, problemas neurológicos e/ou vasculares a infeções urogenitais); farmacológicos (consumo de psicotrópicos, anti-hipertensores, antiandrogénios e/ou a quimioterapia) ou psicossociais (perda da líbido, inibição sexual, ansiedade e medo, perda de intimidade).


Disfunção do orgasmo (anorgasmia)

Define-se como a incapacidade de atingir o orgasmo de forma recorrente após estímulo sexual suficiente e lubrificação adequada. Na sua origem podem estar três tipos de fatores: biológicos (designadamente problemas neurológicos, genéticos e hormonais), farmacológicos (consumo de antidepressivos) e psíquicos (falta de confiança mútua e medo da separação).


Disfunção sexual por dor

Pode dever-se ao vaginismo (contração involuntária dos músculos da vagina, impedindo a penetração), à dispareunia (dor genital ou pélvica recorrente ou persistente na penetração) e outras perturbações dolorosas. Pode ter origem em fatores: psicológicos (agressividade, violência e/ou submissão) ou biológicos (infeções ou inflamações vaginais, alterações do perfil hormonal).



Disfunções sexuais masculinas mais frequentes

Perturbação de desejo sexual hipoativo (défice ou ausência de líbido)

Pode definir-se como a ausência ou deficiência persistente ou recorrente de fantasias e desejo de atividade sexual. Pode ter causas psicológicas (distanciamento emocional do casal, existência de outras patologias sexuais, doenças psiquiátricas, entre outras), causas orgânicas (doença prostática ou outras, tumores pituitários, deficiência de testosterona, consumo de antidepressivos ou antihipertensores e outros).



A idade é um fator de risco para o aparecimento de disfunção erétil. Nos jovens esta patologia apresenta frequentemente causas psicológicas e nos mais velhos, causas do foro orgânico.
A disfunção erétil ou impotência sexual é a incapacidade persistente ou recorrente para atingir ou manter uma ereção adequada até completar a atividade sexual.

Pode ocorrer por várias causas, nomeadamente orgânicas, psicológicas ou mistas. Dentre estas podem existir: presença de prostatite, doenças vasculares, problemas neurológicos, alterações hormonais, depressão, o uso de determinados medicamentos, falta de informação/liberdade, etc..



Disfunções ejaculatórias 

Ejaculação precoce: dificuldade em controlar a ejaculação podendo esta ocorrer mesmo antes da penetração. Pode ter causas psicológicas, orgânicas ou mistas, sendo que no adulto, geralmente ocorre por presença de prostatite não diagnosticada e/ou não tratada.

Anejaculação: Ausência completa de ejaculado embora exista fase de expulsão e orgasmo.

Ejaculação retrógrada: Devido ao não encerramento do esfíncter uretral interno, o esperma passa da uretra posterior para o interior da bexiga, diminuindo o volume de ejaculado para o exterior ou levando à sua ausência. Está relacionada com lesões medulares ou urológicas obstrutivas, como a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) e a prostatite.

Ejaculação retardada: Ejaculação involuntariamente muito tardia por alteração dos mecanismos de ejaculação.



Tratamento

As disfunções sexuais, na sua grande maioria, têm cura. Conhecendo as causas das mesmas é possível revertê-las.

Cerca de 75% destas devem-se a fatores orgânicos, ao contrário do que  se pensava até há uns anos atrás, desde desarranjos hormonais à presença de patologia específica.

Dado que a relação sexual é uma das funções básicas na vida do ser humano, a capacidade do homem para obter e manter uma ereção, por exemplo, pode ser vital para o seu “amor próprio”. Assim como, a mulher em ser capaz de realizar o ato sexual e obter prazer nele, são importantes para a sua autoestima.

Se sofre de algum tipo de disfunção sexual procure ajuda médica!!



Jean Gonçalves
Fisioterapeuta
jean.goncalves@clinicadopoder.pt


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Referências:


  • Serrant-green, L.; Mcluskey, J. (2008) The Sexual Health of Men; Radcliffe Publishing; Oxford
  • Fonseca, L.; Soares, C. & Vaz, J. (2001), As disfunções sexuais femininas, Sexologia, Perspectiva Multidisciplinar; Vol I.; Ed. Quarteto
  • Vendeira, P.; Pereira, N.; Tomada, N.; Carvalho, L. (2011); Estudo EPISEX-PT/Masculino: prevalência das disfunções sexuais masculinas em Portugal, Número 4; Cadernos de Sexologia
  • Wilson, S.; Silva, J. P. (2000) a impotência é reversível, 8ª edição


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

OS EFEITOS DO EXCESSO DE PESO NA PRÓSTATA - Parte 2

OBESIDADE E HIPERPLASIA BENIGNA PROSTÁTICA (HBP)

HBP é a condição patológica não-maligna mais comum e a sua prevalência aumenta com a idade. 

De acordo com um estudo epidemiológico recente, a HBP afeta cerca de 70% dos homens com idade entre 60 e 69 anos e 80% com idade igual ou superior a 70 anos em todo o mundo.

O seu diagnóstico histológico está associado à proliferação desregulada de tecido conjuntivo, músculo liso e epitélio glandular dentro da área prostática. A proliferação celular leva a um aumento do volume prostático e ao aumento do tónus do músculo liso estromal. 


A presença de HBP está caracterizada por níveis de IMC elevados, elevada circunferência abdominal, presença de antigénios específicos prostáticos no soro sanguíneo e transtornos urinários. 

A Obesidade Abdominal apresenta efeitos diversos a nível sistémico, aumenta a pressão abdominal que, consequentemente, aumenta a pressão intravesical, exacerbando os sintomas nocivos da próstata.


Outro mecanismo que sofre alterações é o sistema endócrino. O tecido adiposo eleva a expressão de uma enzima, P450 aromatase, que aumenta o rácio estrogénios/androgénios (estradiol/testosterona). Como um ciclo, este processo potencia a deposição de gordura visceral, sendo suprimida a produção de testosterona e os seus percursores – Ciclo Obesidade Hipogonadal. 


OBESIDADE E CANCRO PROSTÁTICO

O processo inflamatório e o stresse oxidativo, intimamente ligados à prostatite e HBP, promovem a inflamação e doença microvascular, que pode potenciar a isquémia e mais stresse oxidativo no ambiente intraprostático. O ambiente de stresse oxidativo desregula frequentemente o programa de morte celular (pelas células Natural Killer) e leva a mutações hiperplásicas e pré-cancerígenas na próstata.

O cancro prostático é o segundo cancro mais frequentemente diagnosticado e a sexta causa mais comum de morte, no homem, em todo o mundo. Além disso é o terceiro cancro mais frequente nos homens (depois do cancro de pulmão e colo-rectal).

Os mecanismos para explicar a associação entre a obesidade e o cancro de próstata [que é dependente da insulina/fator de crescimento semelhante à insulina (Insulin grown factor)  IGF-1] são a alteração das hormonas sexuais e a ativação de adipocinas causadas pela inflamação. 

A insulina por si só não induz a mutações somáticas, no entanto, pelo efeito anabólico, antiapoptótico, e em concentrações exacerbadas (hiperinsulinémicas) promove a divisão celular - mitose. O que significa a promoção de divisão celular de células doentes, correspondendo ao aumento da massa cancerosa ou mutada.

O aumento dos níveis de insulina inibe a síntese de SHBG (Sex Hormone-Binding Globulin). Esta, é uma proteína transportadora que liga especificamente a testosterona circulante e a diidrotestosterona e reduz a sua disponibilidade aos tecidos, correlaciona-se inversamente com o IMC. Em homens obesos, a testosterona total, SHBG, a amplitude de atuação da hormona luteínizante, a hormona luteínizante diurna e testosterona disponível são reduzidas. 

Os estudos mais recentes observam que indivíduos do sexo masculino obesos têm também níveis aumentados de insulina e leptina, caraterísticas da adiposidade o que leva ao maior risco de um cancro prostático pouco diferenciado. 

CONCLUSÃO

Obesidade Abdominal é um dos fatores de risco mais relacionados a doenças prostáticas. O tecido adiposo, principalmente o visceral, é um importante fator de risco para o desenvolvimento de HBP e Cancro Prostático. 

As causas das patologias prostáticas são de caráter multifatorial, sendo inumerados alguns fatores, como: o aumento do rácio estradiol/testosterona; aumento de atividade nervosa simpática e a promoção do processo inflamatório, que contribui para isquémia, stresse oxidativo e ambiente celular prostático favorável para HBP e cancro.


Com um maior conhecimento da patogenia da doença prostática, dos marcadores indicadores de lesão, e de toda a abordagem preventiva e terapêutica, torna-se possível permanecer com qualidade de vida reduzindo estas condições patológicas no homem.




Dra. Inês Silva Pereira,
Nutricionista
ines.pereira@clinicadopoder.pt


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Referências técnicas e científicas:



Mistry, T.; Digby, J.E.; Desai, K.M.; Randeva, H.S. (2007). Obesity and prostate cancer: a role for adipokines, European Urology, 52, p. 46–53. 
Parikesit, D.; Mochtar, C. A.; Umbas, R. & Hamid, A. R. (2015). The impact of obesity towards prostate diseases. Prostate international, 4(1), 1-6.
Vicari, E., La Vignera, S., Castiglione, R., Condorelli, R. A., Vicari, L. O., & Calogero, A. E. (2014). Chronic bacterial prostatitis and irritable bowel syndrome: effectiveness of treatment with rifaximin followed by the probiotic VSL#3. Asian journal of andrology, 16(5), 735-9. 
WHO consultation. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a World Health Organization WHO technical report series. 2000; 894:i–xii. 1–253

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

OS EFEITOS DO EXCESSO DE PESO NA PRÓSTATA - Parte 1


OBESIDADE E DOENÇA PROSTÁTICA


Já é conhecida a associação da obesidade com o risco de doença cardíaca, diabetes, doença renal e outras. Além destas patologias tem-se verificado a conexão da obesidade com: a prostatite, a hiperplasia benigna prostática e o cancro da próstata.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu excesso de peso como a presença de um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 kg/m2 e obesidade como IMC superior a 30 kg/m2. Apesar do cálculo do IMC apresentar algumas limitações, tais como a incapacidade de diferenciar a massa gorda e muscular, a avaliação IMC pode ser muito útil para identificar a necessidade de ajustes no estilo de vida de forma a prevenir a doença e/ou melhorar a saúde dos indivíduos, especialmente numa faixa etária mais envelhecida.



A obesidade central ou abdominal, avaliada através da medição da circunferência abdominal (C.A.), é conhecida como mais perigosa do que obesidade geral no corpo devido a potenciar alterações na produção hormonal e às consequências inflamatórias destas. A obesidade abdominal é diagnosticada se a circunferência abdominal for superior a 90 cm nos homens e a 80 cm nas mulheres.

O tecido adiposo é dividido em 2 categorias:
·         Visceral (abdominal/central)
·         Subcutâneo (periférico).


O Tecido Adiposo Visceral é composto principalmente por gordura omental, mesentérica e gordura retroperitoneal que delineia a fronteira dorsal dos intestinos e da superfície ventral dos rins. Este é metabolicamente ativo, tendo maior capacidade de degradar gordura do que o Tecido Adiposo Subcutâneo e, também, de produzir elementos e marcadores pro-inflamatórios – Adipocinas

As Adipocinas promovem a presença de elevados níveis de Leptina (hormona de ação predominante protumoral) e reduzidos níveis de Adiponectina (hormona de ação antitumoral e de ajuda à diminuição da obesidade abdominal). Além disso, estas adipocinas provocam alteração das lipoproteínas plasmáticas (avaliadas frequentemente em ambiente clínico para diagnóstico).

O processo inflamatório crónico envolve elementos humorais e celulares que ativam diversas células imunitárias. O desequilíbrio nesta ativação pode terminar numa séria desregulação do sistema imunitário e ativação de fatores de crescimento anómalos que promovem o aparecimento de massa estranhas no corpo, tais como quistos, tumores, ou apenas aumento do volume de algum órgão.



Visto que a obesidade está muito associada a um estilo de vida sedentário, é relevante ter em conta que a atividade física reduz muito o risco de desenvolver doenças prostáticas.

É essencial a aplicação de estratégias de tratamento que incluam a perda de peso e a alteração do estilo de vida.


OBESIDADE E PROSTATITE

A prostatite incide aproximadamente em 10-14% dos homens de todas as idades e origem racial e cerca de 50% dos homens a dada altura da vida sofrem com esta condição.

Vários estudos percebem a associação de um menor IMC como efeito protetor contra a prostatite principalmente com o aumento da faixa etária.

A prostatite crónica bacteriana (PCB) apresenta como principais sintomas a dor urogenital, sintomas do trato urinário inferior (tais como micção com alta pressão, disfunção do esfíncter e problemas na micção, epididimite), problemas psicológicos e disfunção sexual. A PCB pode, inclusive, levar à infertilidade por danificar os ductos ejaculatórios e/ou causar vesiculite e epididimite, que podem ser consideradas como formas intermediárias ou completamente estendidas de infeções por glândulas acessórias masculinas.


A prostatite também tem sido reportada com grande frequência em associação a condições não-urológicas, tais como distúrbios gastrointestinais (GI) (especialmente a presença de síndrome de intestino irritado), comprometimento do sistema imunitário devido a outras patologias crónicas e certas condições psiquiátricas/psicológicas (como ansiedade e alterações de humor). Distúrbios GI possuem uma fisiopatologia bastante complexa e multifatorial, que incluem o fator básico de patologia intestinal, a disbiose, seguindo-se da capacidade da flora comensal intestinal após a terapia antibiótica para o tratamento da PCB, que resulta muitas vezes em inflamação da mucosa. Inicia-se um ciclo vicioso em que a inflamação da mucosa e o desequilíbrio imunitário pode promover a retenção de líquidos e acumulação exacerbada de gorduras – favorecendo o excesso de peso e a obesidade – e vice-versa.

Esta condição patológica tem um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes e um diagnóstico precoce é essencial para a aplicação rápida de uma terapêutica e cura.


Dra. Inês Silva Pereira,
Nutricionista
ines.pereira@clinicadopoder.pt


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Referências técnicas e científicas:



  • Mistry, T.; Digby, J.E.; Desai, K.M.; Randeva, H.S. (2007). Obesity and prostate cancer: a role for adipokines, European Urology, 52, p. 46–53. 
  • Parikesit, D.; Mochtar, C. A.; Umbas, R. & Hamid, A. R. (2015). The impact of obesity towards prostate diseases. Prostate international, 4(1), 1-6.
  • Vicari, E., La Vignera, S., Castiglione, R., Condorelli, R. A., Vicari, L. O., & Calogero, A. E. (2014). Chronic bacterial prostatitis and irritable bowel syndrome: effectiveness of treatment with rifaximin followed by the probiotic VSL#3. Asian journal of andrology, 16(5), 735-9. 
  • WHO consultation. Obesity: preventing and managing the global epidemic. Report of a World Health Organization WHO technical report series. 2000; 894:i–xii. 1–253


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O OUTRO LADO DA EJACULAÇÃO PRECOCE

A ejaculação precoce é um problema que afeta um grande número de homens. No entanto, a maioria destes não quer falar sobre a situação, muitas vezes, nem com o seu médico ou par.
Embora a ejaculação precoce seja considerada uma disfunção sexual masculina, tem impacto sobre as mulheres que fazem parte da vida desses homens. 

Qual o impacto da ejaculação precoce nas mulheres?

1) Sentir vergonha ou frustração

Algumas mulheres podem reagir à ejaculação precoce (ou prematura) do parceiro sentindo-se envergonhada ou frustrada. Uma mulher cujo parceiro sexual consegue chegar ao orgasmo num período de tempo muito curto pode fazer com que a mulher se sinta confusa, como se ela tivesse feito algo “errado”.
Se ocorre com frequência, a frustração tende a crescer e a mulher sente cada vez mais a necessidade de períodos de penetração mais longos. Assim como o homem que sofre com a condição pode sentir-se frustrado com a dificuldade de controlar o seu orgasmo, a mulher pode sentir a mesma frustração.


2) Sentir-se negligenciada (sem importância)

Num estudo  realizado em maio de 2014, investigadores da Universidade de Zurique descobriram que as parceiras de homens que sofrem de Ejaculação Precoce eram propensas a sentir-se negligenciadas – não por causa da ejaculação precoce propriamente dita, mas pelo sentimento de desconexão que sentiam com os seus parceiros, que estavam focados em controlar os seus orgasmos.
Se um homem com Ejaculação Precoce tem que utilizar toda a sua concentração para evitar o orgasmo e a sua preocupação é com o próprio orgasmo iminente (e “lutar contra isso”) pode fazer a mulher sentir-se como se ela não fosse importante e que as suas necessidades sexuais estão a ser negligenciadas.
Na verdade, é o que acontece, ainda que não propositado, uma vez que é difícil para um homem concentrar-se no que a sua parceira precisa no momento em que todo o seu foco é necessário para não ter um orgasmo tão cedo.


3) Ressentimento 

A frustração que advém de ter um parceiro com Ejaculação Precoce pode tornar-se em ressentimento. Se uma mulher sente que o seu parceiro não está de satisfazer as suas necessidades – ou, pior ainda, acredita que a está a privar da sua satisfação sexual, ela pode tornar-se rancorosa – pode fazer com que esta fique chateada e começar a sentir raiva do seu parceiro, ainda que este gostasse de ter mais controlo sobre o seu orgasmo e efetivamente queira deixá-la feliz com o seu desempenho sexual.
Este ressentimento pode ser a origem de problemas fora do quarto no relacionamento se os sentimentos e as causas não forem abordadas.


4) Pode desenvolver disfunção sexual 

Ter um parceiro que apresenta uma disfunção sexual como Ejaculação Precoce pode eventualmente levar a mulher, por sua vez, a desenvolver uma disfunção sexual. De acordo com um estudo  realizado em 2011, publicado no Journal of Sexual Medicine, as mulheres cujos parceiros têm Ejaculação Precoce relatam sofrer perda de satisfação sexual e líbido, bem como ter problemas relacionados com o seu próprio orgasmo.
Assim, enquanto os homens têm dificuldade com orgasmos precoces, as mulheres podem ter dificuldade em atingir o orgasmo. Num relacionamento, quando uma pessoa está a sofrer, a outra também sente a dor, isto é válido para qualquer tipo de problema, como para a ejaculação precoce.


A ejaculação precoce é tratável e os parceiros podem e devem fazer parte do processo!


As mulheres, mesmo que se sintam frustradas, confusas e/ou negligenciadas devido à Ejaculação Precoce do seu parceiro podem e devem participar ativamente no tratamento deste. O mesmo pode ajudar não só na cura da Ejaculação Precoce, como melhorar o vínculo de relacionamento sexual, e interpessoal, que a disfunção possa estar a criar. 



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Referências:

- Burri A, Giuliano F, McMahon C, and Porst H.; Female partner's perception of premature ejaculation and its impact on relationship breakups, relationship quality, and sexual satisfaction;  J Sex Med 2014;11:2243‐2255.

 - Graziottin A and Althof S.; What does premature ejaculation mean to the man, the woman, and the couple?; J Sex Med 2011;8:304–309.